sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Trump, um troglodita no poder ou Homer Simpson na Casa Branca





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Todos os países criam sua violência específica. Os EUA são um país que coloca a vingança pelas armas como algo emblemático. O país foi estabelecido entre enforcamentos e balas de Colt.45.
A violência está no coração da América. O país foi gerado num misto de espírito desbravador, trabalho árduo e violência. Em nenhum lugar o xerife foi uma figura tão emblemática. Uma estrela no peito e um Colt.45 na cinta, eis a imagem da justiça na mente americana.
Mas a violência não é exclusividade dos EUA. O Brasil tem dado exemplos perversos de violência – tal como na degola, uma prática corrente na história brasileira, em particular no final do século XIX, quando da Revolução Federalista. Ocorre que nos EUA não se trata só de violência, mas de um culto da violência. A violência não apenas como vingança, como crueldade bruta, como evento sanguinário, mas como uma extensão do individualismo norte-americano: o indivíduo justiceiro. Justiça feita com o revólver do cowboy, a corda do enforcamento, o murro do super-herói. Há uma espécie de aura sagrada em torno da violência no universo mental norte-americano.
Muito se discutiu, talvez inutilmente, se a violência mostrada nos filmes não levaria a mais violência. A questão se coloca, penso eu, não apenas porque filmes retratam atos de violência, mas porque no universo ficcional norte-americano, a violência é glamourizada.
Essa violência em estado bruto, não é vista como crime ou desrespeito à vida, mas como um momento excepcional de aplicação dos ideais americanos. Não é sem motivo que o país se imaginou – e se imagina ainda – como uma espécie de justiceiro da ordem mundial.
Outra face dessa mitificação do justiceiro se une à grosseria, ao culto do machão estúpido, ao elogio da ignorância.
Ao juntarmos esses dados entendemos a eleição de Trump.
Ele não é apenas uma massa bruta de burrice. Ele se orgulha de sua brutalidade e glamoriza a violência. É uma criatura inflada de egolatria e de um orgulho arrogante. Eis nos diz: eu sou o grosso que tem a força, eu sou o estúpido que tem o dinheiro, eu sou o poderoso que poderá massacrá-los. Ele não tem respeito por ninguém, é incapaz de amar ou de sentir compaixão ou de ser generoso. Daí desprezar as mulheres, caricaturar deficientes físicos, ser racista.
Ele não é a América que admiramos, aquela do jazz, da literatura notável, dos filmes brilhantes, dos feitos tecnológicos.
Trump é uma das encarnações de Homer Simpson.
Trata-se de um sujeito grosseiro e ressentido, cujo cérebro sofre de uma deficiência de sinapses e neurônicos. É um modelo de mediocridade. Não estudou e não leu nada. Despreza a inteligência. É o homem sem refinamento que se vangloria da própria ignorância. Arrota em público, engole sanduíches repugnantes e litros de cerveja. Só pensa no seu umbigo. Trata sua mulher como um lixo, e os filhos como trambolhos que impedem seu desejo de ficar em frente da TV vendo partidas de rúgbi enquanto se embebeda.
Tal como Homer Simpson, Trump é um piadista grosseiro que pode eventualmente passar a mão na bunda de uma mulher e se gabar de ser capaz de levar qualquer uma para a cama.
A classe média ressentida elegeu Homer Simpson. E nós teremos que conviver com esse tipo pelo menos por quatro anos, sem sabermos o número de besteiras que será capaz de produzir.
Se a síndrome do cowboy justiceiro encarnar no Trump, estaremos fritos.





quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Um ano novo de novo?




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Afinal estamos em 2017.
No começo a gente custa a se habituar. Aquele 17 parece um equívoco. Experimente preencher um cheque para ver. A grande vantagem é que ninguém mais preenche cheques.
Em todos os casos, estamos em 2017.
Confesso que sofro muito com a passagem de ano. A cada 31 de dezembro preciso me preparar espiritualmente para enfrentar aqueles vinte minutos de foguetório. Eu e todos os cachorros da vizinhança entramos em pânico. Eles ao menos podem latir. Eu coloco algodão nos ouvidos e fico quieto, vendo alguma bobagem na TV ou lendo algum livro. Vinte minutos passam rápido, tento me consolar, mas sei que não é verdade. Duram uma eternidade.
O fato é que eu me pergunto por qual razão os seres humanos têm necessidade de barulho para fingir que estão felizes. Para minha surpresa, de uns anos para cá tenho ouvido foguetório também no Natal. O que terá o Natal com foguetório? Alguém sabe?
Eu não sei.
E me vem a pergunta: o que há no barulho que não há no silêncio?
Agora, em função da crise, o tempo de foguetório foi diminuído em alguns minutos. Não notei muita diferença. Acho que poderiam soltar fogos de artifício, desses que só fazem desenhos e grafites no céu. Faria sentido. Mas tiroteio? Para que barulheira?
Os cães aqui da vizinhança, que latem enquanto eu digo alguns palavrões, sofrem muito. Eu tive um cachorro husky, chamado Nasco, que era meu alter-ego canino. Ele tinha uma qualidade invejável: não obedecia a ninguém e não temia coisa alguma, nem fiação elétrica, com o que levou vários choques.
Pois o Nasco, animal tão nobre, tão belo, de inquietantes olhos azuis, forte, corajoso, entrava em pânico com o foguetório. Agitava-se, corria pelo quintal, enfiava-se num canto, junto com a Aika, sua namorada. Os dois sofriam muito e nada os acalmava. Eram os 20 minutos mais longos de nossas vidas.
Quando o foguetório acabava, estávamos exaustos.
Eis porque eu e os cães sofremos muito nos finais de ano. No Natal tenho que suportar o Papai Noel. Admiro o aniversariante do dia, Cristo, mas não entendo quem inventou que essa figura gorducha, de riso caricatural, um consumista perverso, deveria ocupar o lugar central no Natal.
A festa não é religiosa? Cristo não é o homenageado?
O comércio agradece.
Darci Ribeiro dizia que seu sonho era ser Imperador do Brasil. Colocaria o país nos eixos. Pois eu, caso assumisse algum cargo de dirigente do mundo, acabaria com foguetórios. No lugar deles, poderíamos organizar gargalhadas coletivas, por exemplo. Canto coral à beira mar. Palmas ao anoitecer. Aproveitaríamos a ocasião para pedir, ai de nós, perdão pelos nossos pecadilhos, nossas culpas e eventual desânimo em viver. Eu pediria desculpas pelo mau-humor que me ataca nessas festas de fim de ano.
Trocaria tudo isso por um cálice de vinho, a leitura de alguns poemas, boa música, um sono quieto e alguém ao alcance da mão que eu pudesse acalmar caso algum infeliz soltasse foguetes nas redondezas.
Ah, sim, a passagem de ano seria comemorada com cinco minutos do mais absoluto e sagrado silêncio.
Que 2017 nos seja leve.




sábado, 31 de dezembro de 2016

A arte de furtar



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Não se sabe quem escreveu “A Arte de Furtar”. Na busca de um autor, muitos quiseram atribuir a criação dessa obra prima, além de vários outros, ao Padre Antônio Vieira (1608-1697)  ou ao Padre Manoel da Costa (1601- 1667), polêmica que rola nos últimos quatro séculos. Não se sabe, pois, se foi o Antônio ou o Manoel. Será que importa? Trata-se de um anônimo, ponto final.
No caso de A Arte de Furtar, é admirável a coragem das denúncias que faz – o autor, que não era bobo, se escondeu no anonimato – e das análises de cunho sociológico e cultural que levanta. É um livro admirável. Vale a leitura.
Mas quero destacar que o livro tem atualidade apesar de sua idade já secular. Quem sabe ajude a salvar do lixo da história o ano que está acabando.
Como se sabe, fala-se muito em impunidade no Brasil. Por conta da impunidade temos a continuidade e o aprofundamento dos crimes cometidos. Embora isso seja a mais cristalina verdade, não é toda a verdade.
Vejamos.
Diz o autor anônimo, já ao final do livro: “Duas coisas há que facilitarão muito os ladrões a furtar: uma é o que sobeja neles e a outra o que falta em nós”.
Essa frase é uma preciosidade. Até porque faz com que olhemos para as duas faces de um fenômeno social. De um lado quem furta e, de outro, quem é furtado.
E nos lembra que as duas coisas não podem ser entendidas se não as pensarmos juntas. Ora, o que falta em nós é o que move ladrões de galinha e políticos e empresários corruptos a cometer crimes novos e mais ousados.
Voltando ao anônimo: “sobeja neles cobiça para nos roubarem e falta em nós justiça para os emendarmos”.
Em busca de uma saída, o anônimo desenvolve uma parábola na qual duas senhoras – Dona Justiça e Dona Cobiça – se agridem numa briga no Terreiro do Paço. Ocorre que Dona Cobiça acerta um soco nos olhos da Dona Justiça e lhe arranca um olho, o que fez com que imaginasse que a tivesse matado. Temendo por sua sorte, correu ao Paço em busca de ajuda. Foi então advertida de que ali seria punida, sendo homicida e ladra. Dirigiu-se então ao Corpo Santo, mas ali a avisaram que se arriscava a ser enviada ao Brasil, onde poderia cair nas unhas de holandeses. Acabou indo à Rua Nova, pensando em se esconder nas lojas dos mercadores e, em seguida, na Rua dos Ourives – nos dois casos não a atenderam.
Tentou abrigar-se então em algum mosteiro, mas todas as portas lhe foram fechadas. Padres e freiras tinham outras preocupações. No castelo, o mesmo. Ela então – na expressão deliciosa da época – “se deu em ladra” e passou a roubar a olhos vistos, até mesmo o soldo dos soldados e as riquezas da Fazenda de el-rei. Temendo ser enforcada, passou-se para Castela, sem passaporte, onde assolou os espanhóis com tributos tais que esses, para se repararem, dirigiram-se ao Novo Mundo, onde, “só na ilha de Cuba (...) mataram mais de doze milhões de índios para se encher de ouro”. Esquartejaram crianças, queimaram vivos caciques e reis, degolaram imperadores – e assim devoraram serras de prata e montes de ouro, que mandavam à Espanha para que pudesse fazer a guerra a toda a Europa.
Em meio ao caos reinante, resolveu-se chamar a Dona Justiça para reparar os estragos, mas esta, sendo agora caolha – um de seus olhos, lembro, fora arrancado pelo murro da Cobiça – nada podia fazer. Colocaram nela então um olho de prata, mas o arranjo ficou deformado. Os homens aguardaram então que Deus condenasse a Cobiça ao inferno.
E, candidamente, diz o Anônimo: “Não sei se me tenho declarado”. E, para não haver dúvidas, arremata: “Quero dizer que a cobiça é a mãe de todos os ladrões e que a justiça se lhe acanha quando não é direita”.
Então, concluamos nós, a quatro séculos de distância: que se cortem as unhas aos ladrões e que sejam punidos na sua medida, do mais pequeno ao mais alto arregimentador de propinas.
Sem Dona Justiça caolha, é claro.
E que 2017 nos seja leve.








sábado, 24 de dezembro de 2016

Sequer um nome





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Ali estavam os dois, falando baixinho ao telefone, pois as paredes têm ouvidos, como sabemos. Trocavam conversa fiada naquele dia de frio e chuva fina, dessas que não existem para irrigar o solo, mas para encher a paciência dos viventes que querem apenas uma janela para olhar o mundo lá fora.
- Você não acha curioso?
- O quê?
- Nós dois aqui conversando.
- Não – fez uma pausa cheia de surpresa. – Quer dizer, acho.
Houve um silêncio longo, que só eles poderiam entender. Ela aproveitou para ir até o quarto e pegar uma manta na qual se enrolou. Voltou amaldiçoando o frio.
- Que disse?
- Nada. Reclamei do frio.
Ela retomou a conversa:
- Você dizia que...
- ...acho estranho estarmos conversando tanto. Mal nos conhecemos. Já notou que só ao telefone conseguimos conversar? Quando nos encontramos é um tumulto, nem dá tempo para conversar.
Um encontro ao acaso, numa reunião de ex-alunos. Nunca haviam se encontrado. Começaram a conversar no refeitório, segurando bandejas, servidos por senhoras que sorriam educadamente e perguntavam se queriam mais alguma coisa.
Foram direto para o hotel no qual ela estava hospedada. Entraram no quarto sem se tocarem. Após o corredor estreito, sentaram-se na cama, como se não soubessem o que fazer. Ela vestia uma blusa azul e uma saia branca. Ele vestia uma camiseta vermelha e um jeans comprado no dia anterior. Estava quente, era verão. Sem entender por qual razão, se sentiam felizes.
- Não é curioso? Mal nos conhecemos e...
- ...parece que sabemos tudo um do outro.
Desconheciam até aquele momento os nomes um do outro. E decidiram que seriam melhor assim.
- Verdade. E não sabemos quase nada de...
- O número dos telefones. Só isso.
- Eu esperava por alguém assim, que falasse comigo sem exigir nada.
- Por isso nem perguntei teu nome. Achei que...
- Eu também. Um nome às vezes atrapalha.
Ela tentou dizer alguma coisa. Não conseguiu. Ficaram em silêncio. Ele retomou o fio da conversa:
- Dia desses minha família veio em comitiva conversar comigo. Não nos reuníamos há seis meses. Ficaram horas me questionando. Meu cabelo, meu dinheiro, meu envelhecimento, minhas dores nas costas, meu desânimo.
- Igualzinho. Conheço esse filme.
- Por que será... – não conseguiu completar a frase.
- É muita chateação, concluiu ela.
Separados por quilômetros de distância, deram a mesma gargalhada e combinaram que logo marcariam mais um encontro.
- E onde será? perguntou ela.
- Lembra de...
- Não. Já fomos lá duas vezes. Que tal?...
- Já sei!
Acertaram os detalhes em seguida, dia, hora de chegada e – só de molecagem – escolheram antecipadamente o vinho que tomariam.
Não sabiam nada um do outro, mas eram quase felizes.





domingo, 18 de dezembro de 2016

Greca e Oficina de Música de 2017.







Nem um mês antes da realização da 35 Oficina de Música de Curitiba, Greca, o novo prefeito, solicitou que Fruet, o prefeito que está de saída, determinasse o cancelamento do Festival. Fruet disse que não cancelará coisa alguma e o impasse está feito. Dizem que amanhã, segunda-feira, afinal saberemos se o festival será ou não realizado.
Mas será razoável pedir ao prefeito que sai para anular um evento de tal importância? Será razoável cancelar um evento que dá prestígio internacional à Curitiba e que já se realiza há trinta e cinco anos? Como ficam os professores contratados, os músicos com viagem marcada, as centenas de estudantes que, como ocorre a cada Festival, invadem a cidade para brindar a todos com música da melhor qualidade? Note-se que os números são avantajados: 1.143 alunos se matricularam para os 90 cursos oferecidos. São cem os professores que virão de onze países.
É um disparate querer brecar em cima da hora tal movimento de tantos interessados.
Greca alega – e a desculpa é velha – que usará os recursos do festival em saúde pública. Primeiro, não se sabe se isso será verdade, sobretudo com gente que pretende dar calote na véspera de um evento. Segundo, se há alguma coisa que dará alento à saúde mental e espiritual dos curitibanos é boa música.
Talvez se trate de uma dessas ações dignas de um tipo de administrador que senta o traseiro numa banqueta e, rabiscando na prancheta, brinca de ser Deus. Cortem-se os espetáculos, cancelem-se os cursos, os estudantes que toquem em outra freguesia, os professores já contratados que se queixem ao bispo.
Ocorre que brincadeiras de Deus costumam custar caro. Como o evento inicia seis dias após o prefeito eleito assumir, e como Fruet já declarou que não vai cancelar coisa nenhuma, se Greca insistir no cancelamento teremos o caos. Choverão, além de gritarias justificadas na imprensa e nos meios culturais, processos por parte de quem se sentir prejudicado.
Enfim, começa mal esse prefeito que os curitibanos, sabe-se lá por qual esquisitice, resolveram reconduzir à prefeitura. De resto o prefeito que sai não se vai com melhor figura, inclusive no episódio do festival.
Em todos os casos, há três dias a Secretaria Municipal de Finanças, garantiu o repasse da verba necessária. Outros dizem que amanhã o nó desata ou ata. Teremos então um braço de ferro entre o prefeito que sai e o que entra. A não ser – e seria igualmente indesculpável – que Greca, como é de seu feitio, esteja armando uma jogada. Talvez retroceda em sua proposta destemperada.
Para quem já pariu um barco que jamais navegou, talvez não seja tarefa difícil.








terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Fotografias, selfies – e o tempo não para.



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Dia desses, enquanto o Papa Francisco rezava no balcão, a multidão na praça de São Pedro estava coberta por celulares.
Com aquela senhora considerada enigmática, a Monalisa, sempre cercada por uma multidão, acontece o mesmo. Sobre as cabeças, os celulares. As fotos sairão fora de foco, pessimamente enquadradas, com problemas de iluminação.
Mas isso importa? Não. Se os turistas quisessem uma foto da Monalisa, iriam a qualquer barraquinha nos arredores e comprariam uma foto bem feita, bem enquadrada, em reproduções de ótima qualidade.
Ou seja: o que menos importa é o quadro. A fotografia tirada da Monalisa dirá apenas: eu estive ali. Importa o dono do celular, o eu. Não importa a Torre Eiffel ao fundo, as Cataratas do Iguaçu, o Big Bem esfumaçado lá longe. Importa o turista se exibindo.
O ego em primeiro plano, o mundo em segundo.
A paisagem é pretexto.
Por isso as selfies me intrigam tanto. São uma espécie de não-fotografia. Nelas os rostos saem bolachudos, os lábios parecendo estufados por botox, os olhos arregalados e o sorriso mecânico. No entanto, é a glória. O fotografado esteve lá ou esteve com. Logo essas fotos serão exibidas numa reunião familiar na qual, em dez minutos, todos estarão bocejando.
Nessa compulsão por fotos de si mesmo, se encontra a eterna ansiedade humana, hoje lutando contra o anonimato. Quem fotografa está sempre fotografando a si mesmo. E tenta vencer o tempo, aprisioná-lo num arquivo digital. E quer sair da multidão.
É inútil querer fixar o tempo. Não só pelas selfies, mas pela busca da eternidade em vida, na obstinação da forma física, das academias, das vitaminas, das cirurgias plásticas. Haja cliques e haja botox.
Ocorre que o que se fotografa também envelhece. Basta observar uma foto tirada há alguns anos. Aquela da formatura, de uma viagem à praia, do baile de casamento. Veja como tudo ali envelheceu. As calças estão fora de moda, as camisas parecem jeca, as blusas, uns trambolhos. E os penteados? Quem hoje sairia à rua com um penteado empinado por litros de laquê?
Eis aí: o que fotografamos envelhece, mas as boas fotos, não.
Se olharmos essas fotos com atenção, observaremos que casas, móveis, ruas, vestes, tudo mudou e conta uma história.
O motivo é simples: a fotografia, ao contrário da crença geral, não registra o presente. Registra sempre o passado. Mesmo quando foi tirada há segundos.
Anos depois, a cena retratada chega a ser motivo de riso pelas roupas e chapéus e sapatos. As fotos registram justamente isso: o tempo não para.
No entanto, envelhecer é uma virtude das fotos. Registrar o passado é seu grande mérito. O equívoco é coloca-las no lugar do presente. O turista mal estaciona diante da Monalisa, mal sabe quem foi Da Vinci, e já dispara a foto e capta um incomum povoamento de cocurutos no rodapé do quadro famoso.
Por isso é bom cuidar do mundo a nossa volta, é nele que vivemos. Observe atentamente a Torre Eiffel e compre uma foto na banquinha da esquina. Observe extasiado as Cataratas do Iguaçu e mergulhe por inteiro naquele espetáculo colossal. Se quiser, tire fotos, mas saiba que elas não substituem sua experiência pessoal.
A fotografia é um dos instrumentos mais notáveis de que dispomos. Pode ser uma arte refinada. Nos ensina, nos humaniza, nos diz de onde viemos, o que éramos, quem eram nossos pais e avós e como viviam, registra um mundo inteiro de experiências pessoais e culturais.

Mas sempre no passado. Então, desça do ônibus com calma, percorra o parque, a praça, a rua, olhe para os prédios e para as pessoas, as telas e esculturas e não deixe que o celular, mais uma vez, tome o lugar de seus olhos, de seu cérebro, de sua sensibilidade.





segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Quarta Expo de Ateliê DALA STELLA


Recomendo a todos que não percam a oportunidade de visitar a Exposição de Ateliê do artista plástico Carlos Dala Stella. Não bastasse o valor do trabalho do Dala Stella, o ateliê onde ele trabalha fica num verdadeiro paraíso, com um bosque ao alcance da mão. Não perca.

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